
Bem, com o teatro, eu quero manter um relacionamento íntimo, tão íntimo a ponto de me permitir, por meio de vivências diversas, viajar em intensidades nunca antes alcançadas. Com o teatro, eu quero atuar, criar, fugindo ao máximo da lógica da representação, daquela representação que engessa, aprisiona as potencialidades humanas. Com o teatro, eu quero acontecer! Eu quero conhecer o oculto, os subúrbios da alma humana, eu quero descobrir os subtextos da vida. Com o teatro, eu quero ir muito longe, longe da domesticação, longe da corrupção, longe da violência, longe das injustiças, longe dos preconceitos, longe da exploração e das servidões humana e animal. Com o teatro, eu quero ficar mais perto de mim, de ti e de todo mundo (humano e animal). Com o teatro, eu quero aproximar ao máximo “o que eu sinto”, “o que eu faço” ao “como eu faço”. Eu quero sentir e fazer, fazer e sentir, numa troca infinita de prazeres. Com o teatro, eu quero entender por que a vida no planeta precisa ser assim como ela é e, depois disso, contestá-la, contestá-la, contestá-la. Com o teatro, quero me sentir gente, quero me sentir bicho, quero me sentir urgentemente tudo isso junto. Com o teatro, quero construir linhas de fuga, quero dinamizar a vida que está no avesso da história. Com o teatro, quero andar na contramão do poder. Com o teatro, quero ser andante, sentante, pulante, pulsante, uma caminhante do devir-alegria.
Tânia Marques 19/02/2012
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