Corrói por dentro
Essa dor de solidão
Doída
Me persegue silenciosa
Me faz sentir frágil
Velozmente suscetível
Choro minha angustia em agonia
De ser triste e estranho a mim mesmo
Quero sentir o amor
Nos meus poros festejando
Não preciso de compromissos marcados
Me destituo de toda e qualquer exigência
Quero abraço amassado
Quero lágrimas de risos
Quero a vida desejada
Pura, simples e bela
Como os sonhos que não são forjados
Nem complexos ou comprados
Mas tudo no tempo (in)certo
Tânia Marques 31 de maio de 2011
Foto: Arquivo pessoal.
Poesia é mudança,
esperança,
andança
É o balbuciar de uma criança
É o registro de lembranças
Lembranças de um eu-profundo
Nem sempre tão impuro
Nem sempre tão imundo
Mas insensatamente fecundo
No filtro da memória
Cada poeta trilha sua história
Às vezes extensa e notória
Outras tantas pela metade
Dias escuros, meias verdades
Mas vêm o registro de algumas vontades
Poeta encantador,
Poeta da dor e do amor
Tu és dádiva em flor
Tua palavra é puro esplendor
No corpo da madrugada
De inspirações e vidas cravadas
De florestas sentimentais
e utopias estruturadas
Tânia Marques 27 de maio de 2011
Vida de gestações diversas,
nenhuma alma gentil
parida do amor
veio até mim
a inspiração chega
e atravessa a solidão
no seu mais recôndito
e irresistível esconderijo:
seu corpo
suas palavras são alimentos
simbólicas tempestades
vulcões em erupção
beijos ardentes
entre pernas e corações
pulsações incessantes
você é êxtase liberto
sentimento secreto
gustação sensual
estrela lucilante
noite enluarada
chamamento
urgente
ardente
pujante
Tânia Marques 19 de maio de 2011
o verão envelheceu
já é outono
as folhas dos plátanos
estão desmaiadas no chão
amareladas
desajeitadas
daqui a pouco, as árvores
ficarão nuas de inverno
pelas ruas, somente o sol
o frio e a geada
o inverno é ausência
de calor
de amor
é quando o suspiro congela
e a brasa da lareira assa
os meus sonhos de primavera
quero hibernar em seus braços
quero me embriagar nos seus beijos...
Tânia Marques 19 de maio de 2011

.num tear de ilusões fugidias, eu desenrolo o novelo dos enganos imanentes do amor. farsa promíscua e irreparável, espelhada diante de um presente inconsistente. há que se soltar o fio enrolado até chegar-se ao nirvana sentimental. sensações amiúde invisíveis são aquelas que rastejam a lama ulterior ao cio. os afagos das palavras gementes abafam vidas nada suaves, inconstantes, divinamente cooptadas pela alegoria de um vir a ser poético numa derradeira antropofagia mística. as palavras masculinas comem as mulheres pelos ouvidos, penetram nos seus corações solitários, libertando libidos telepáticas, antipáticas, pois estão minimizadas pelas distâncias corpóreas. não te quero em mim invenção, imaginação criadora, porque preciso tecer uma cama de beijos e paixões vibrantes nas entranhas da carne. o desejo é volátil sedução, cega compulsão, teus lábios a roçar minhas coxas, delírios de cavalgadas noturnas. teu hálito refresca a boca minha, teus olhos discorrem sobre encantos estivais... e a lua? a lua esvaece extasiada ao clarear o dia. teu sono é orvalho em rosa, e os meus sentidos navegam docemente sobre o teu sexo. desenrolo o novelo das histórias passadas, para voar mais alto no presente, tão intensamente quanto o vento me levar. há quem precise atravessar mares de solitude para em ti chegar, há quem precise somente do vento para sonhar.
Tânia Marques 10 de maio de 2011
Fonte da imagem:
(Pablo Neruda - Tradução Lustato Tenterrara)
"Ainda não estou preparado para perder-te
Não estou preparado para que me deixes só.
Ainda não estou preparado pra crescer
e aceitar que é natural,
para reconhecer que tudo
tem um princípio e tem um final.
Ainda não estou preparado para não te ter
e apenas te recordar
Ainda não estou preparado para não poder te olhar
ou não poder te falar.
Não estou preparado para que não me abraces
e para não poder te abraçar.
Ainda te necessito.
E ainda não estou preparado para caminhar
por este mundo perguntando-me: Por quê?
Não estou preparado hoje nem nunca o estarei.
Ainda te Necessito."
Eu adoro voar...
e que esse voo seja
a vida penetrando na aurora
um voo de orvalho em êxtase
um voo masturbador de flores
um voo multiplicador de vida
um voo distribuidor de pólens
pólens de amor para fecundar a terra
uma terra para todos
uma terra sem fronteiras
sem fronteiras para amar
Eu adoro voar...